A tecnologia é a salvação?

Original article was published on Artificial Intelligence on Medium

A era do Artificial

Em um período em que tudo parece global e acessível, em que quase todos podem ter acesso a todo tipo de conhecimento, tudo parece ter sido descoberto e todos parecem ser conhecedores de tudo. Afinal, o Homo Sapiens nada mais é do que aquele “que possui a sabedoria” e que, portanto, possui o poder de controlar o seu entorno. Domamos o fogo; a eletricidade ajoelha-se à nossa presença; e até mesmo a viagem interplanetária será, em alguns anos, simples ferramenta para expandirmos nossas conquistas a outros planetas.

Isso trouxe, contudo, alguns desafios inéditos.

A tecnologia passou a carregar em seus ombros a responsabilidade de armazenar toda nossa informação. De bytes a megas; de megas a gigas; de gigas a petas; de petas a teras. Nada deixa de ser gravado nos cofres eletrônicos e onipresentes de silício. Tudo está a apenas alguns cliques.

Alguns futuristas afirmam que, nas próximas décadas, a tecnologia terá um papel inimaginável. A chamada Lei de Moore, ampliada pela visão de Ray Kurzweil, afirma que a inovação tecnológica é exponencial e, por isso, deve impactar drasticamente toda a conjuntura mundial, substituindo grande parte dos trabalhos realizados por nós. Baseado nisso, alguns cientistas até dizem que a Inteligência Artificial deve ultrapassar a inteligência humana em apenas algumas décadas.

Mas será que, com a democratização do conhecimento, alcançamos o posto de civilização avançada?

Será que nossos maiores problemas como sociedade são tão diferentes dos maiores problemas de séculos atrás?

Ao invés de dar uma resposta direta para essas questões, vamos analisar alguns números.

Só é útil o conhecimento que nos torna melhores . – Sócrates

Somos cerca de 7,8 bilhões de seres humanos na Terra. Desses:

Enquanto isso:

Se o conhecimento é poder, definitivamente não parece nos tornar automaticamente mais sensatos. Se o avanço tecnológico têm sido exponencial, nossa sensatez não parece ter acompanhado. E esse é um ponto muito pouco levantado sobre esse assunto.

Poderíamos levantar a proposição de que, para evoluirmos tecnologicamente, temos também que, em paralelo, avançarmos moralmente, pois cada nova descoberta aumenta nosso potencial de evolução ou destruição. Em outras palavras, a mesma fissão nuclear pode ser aplicada para produção de energia mais limpa, ou criar uma bomba atômica.