Inteligência Artificial, Negócios e Neurociência.

Original article was published on Artificial Intelligence on Medium


Há dois anos, um artigo com o mesmo título deste texto surgiu em uma proposta de intervenção, como conclusão da minha Pós-Graduação em Neurociências. Hoje, as mesmas palavras que levam o título, ganham novas interpretações, e os temas que consultei e estudei como obsolescência profissional, insegurança psicológica no trabalho e paralisação intelectual, já são alvo de análise e projeção, visando entender como será a arquitetura da experiência de trabalho.

Estamos passando pela 4ª revolução industrial, que é a convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas; uma simbiose entre homem e máquina, resultante em robôs interagindo com humanos, inclusive no mundo dos negócios.

Essa convergência “visceral” pode, além de causar um choque cultural, desencadear episódios negativos de cunho psicológico como medo, ansiedade, insegurança, impotência, depressão e queda de rendimento profissional em profissionais que não estejam psicologicamente preparados para entender, interagir e conviver cada vez mais com máquinas e robôs, e ajudarem a construir o futuro do trabalho.

Grandes líderes como Sundar Pichai do Google, Satya Nadella da Microsoft, Paul Zak, Mark Zuckerberg e Elon Musk da Tesla Motors, Space X, Neuralink,e The Boring Company já estavam atentos na última década para um enfoque nas neurociências como fator de decisão para formar equipes de alto desempenho.

Um artigo veiculado em Fevereiro deste ano, na Harvard Business Review, entitulado “A competição na Era da IA”, traz uma visão bem esclarecida sobre as mudanças que a Inteligência de Máquina trouxe (e continuará trazendo) para os negócios e os desafios que tem diminuído a separação entre setores, fazendo com que o entendimento sobre o impacto da IA seja pauta de decisões e estratégias de competição.

“O aprendizado de máquina transformará a natureza de quase todos os empregos, independentemente da ocupação, nível de renda ou especialização”

Marco Iansiti e Karim R. Lakhani, para Harvard Business Review, Fevereiro 2020.

O saldo da velocidade de tantas mudanças: Pessoas inseguras e performance comprometida.

Uma edição de Fevereiro de 2018 da revista Exame, traz uma síntese sobre a química da mente produtiva, a qual recomendo veemente a leitura, e que traz informações sobre o Projeto Aristóteles, conduzido pela Google, e é assunto para um texto dedicado que estou construindo.

Uma das conclusões reveladas pelo Projeto Aristóteles, é que a química dos times mais bem-sucedidos está atrelada á uma fórmula batizada de segurança psicológica, ou seja, fatores confiança, sentir-se parte de uma cultura de que não repreende por dizer “não”, clareza nos objetivos e na jornada, eram ingredientes que resultavam em maior colaboratividade e inovação.

Pesquisas revelam que estamos inconscientemente buscando recompensas e nos protegendo de ameaças (psicológicas). As neurociências explicam que, eventos que provocam sensação de insegurança, desencadeiam hormônios de estresse, interferindo no córtex, parte do cérebro responsável pela atenção e pelo raciocínio. Quando temos uma recompensa, a dopamina, que está associada ao foco, entusiasmo e inclinação para assumir riscos, é protagonista.

O economista e diretor do centro para estudos em neuroeconomia da Universidade de Claremont, na Califórnia, Paul Zak, estuda há duas décadas o hormônio Ocitocina, que está presente em times de alto desempenho e é relacionado com a criatividade, colaboração e disposição de se submeter á sacrifícios, conclui que “a Ocitocina é a base das relações de confiança”.

Em pesquisa que explorou o nível de confiança em 300 empresas do Estados Unidos, Paul Zak e sua equipe chegaram á 8 fatores de sucesso para um ambiente fértil e saudável psicologicamente:

Os resultados em empresas que são referência em cultura de confiança, comparando com as demais são, 74% menos estresse, 50% mais produtividade, 76% mais engajamento e 56% mais satisfaçao pelo próprio trabalho.

A aplicação das práticas acima, fazem com que haja níveis mais altos de Ocitocina no cérebro, fazendo com que as pessoas fiquem mais empáticas e dispostas a ajudar uns aos outros, gerando maior produtividade no trabalho. Sob uma ótica de retorno financeiro para as empresas, a pesquisa apresentou, para as empresas que evoluíram em relação á patamares de confiança, um aumento de receita gerada por colaborador em média de 10.000 dólares por ano, ou seja, se considerarmos uma empresa de grande porte, com mais de 10.000 colaboradores, o retorno pode ultrapassar 10 milhões por ano.

Para aplicar de forma imediata na sua equipe, empresa ou nas seu ambiente pessoal, hábitos como meditar, dormir bem, trabalhar o foco nas atividades (evitar ser multi-tarefa), ser colaborativo, aprender novos conteúdos e trabalhar um propósito que aquilo que você faz, são fontes embasadas pela ciência que garantem maior saúde, produtividade, desempenho e principalmente resultados.